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| Imagem: reprodução SBT |
Foi ao ar, na noite do último domingo, 01, a estreia da nova
temporada do programa "Conexão Repórter", apresentado por Roberto
Cabrini, no SBT. Em tese, nada de novo a não ser pela mudança de dia de exibição
do programa (de quarta-feira para o domingo) e o novo cenário, mais amplo e
apropriado à exibição em HD. Mas o já excelente programa trouxe ao público um
documentário emocionante. Intitulado "A um passo da eternidade", o
programa mostrou como vivem pacientes que estão esperando o momento de morrer.
Roberto Cabrini visitou a ala de doentes terminais em um hospital de São Paulo
e acabou conhecendo a história de Rosa, uma jovem mulher, casada, mãe de dois
filhos, a espera da morte por causa de um câncer sem cura.
O programa, que poderia insistir na apelação e mostrar uma
reportagem comum, explorando o "drama" vivido por Rosa e sua família,
surpreendeu. De forma positiva, lúcida e sempre com um belo sorriso, Rosa foi
apresentada como uma mulher sem medos, e agradecida pela vida que teve e pelos
momentos que passou com a família. Sua dor não foi explorada, a iminente morte
também não. Não no sentido sensacionalista, mais cruel como se vê em programas
do gênero. A diferença, é que o
"Conexão Repórter" mostrou uma mulher lucida, capaz de explicar sem
remorso ou pena de si mesma, a sua situação. Rosa mostrou que não é uma lição
de vida, mas uma pessoa que aceitou o seu destino. Ela tinha certeza que seu
tempo neste plano espiritual tinha chegado ao fim.
Chamou a atenção, a amizade que o jornalista Roberto Cabrini
e Rosa construíram neste curto período de tempo. Rosa encarou a reportagem como
uma oportunidade, e mesmo muito debilitada, pediu para Cabrini gravar com o
celular em um dia de visita que ele foi sem a equipe. Eles não sabiam, mas
aquele seria o último dia de vida de Rosa.
No desfecho do programa, Roberto Cabrini faz uma reflexão
sobre o que viu e terminou com esta frese transcrita na íntegra: "A
história de Rosa é a demonstração de que a vida humana não deve ser medida pela
quantidade de dias, mas sim pelo conteúdo de cada segundo".
Porque fiz este texto: Em 2009, perdi minha mãe com a mesma
doença. Assistindo o "Conexão Repórter" pude fazer uma viagem àquela
época. Por ironia do destino, minha mãe também se chamava Rosa. Mas, além
dessas coincidências, esse "Conexão Repórter" é a prova que o
jornalismo ainda não morreu. Que é possível informar, e acima de tudo emocionar.
Convido você a assistir aos 50 minutos dessa reportagem. Tenho certeza que não
se arrependerá.
