terça-feira, 3 de março de 2015

Quando o jornalismo emociona.

Imagem: reprodução SBT
Foi ao ar, na noite do último domingo, 01, a estreia da nova temporada do programa "Conexão Repórter", apresentado por Roberto Cabrini, no SBT. Em tese, nada de novo a não ser pela mudança de dia de exibição do programa (de quarta-feira para o domingo) e o novo cenário, mais amplo e apropriado à exibição em HD. Mas o já excelente programa trouxe ao público um documentário emocionante. Intitulado "A um passo da eternidade", o programa mostrou como vivem pacientes que estão esperando o momento de morrer. Roberto Cabrini visitou a ala de doentes terminais em um hospital de São Paulo e acabou conhecendo a história de Rosa, uma jovem mulher, casada, mãe de dois filhos, a espera da morte por causa de um câncer sem cura.

O programa, que poderia insistir na apelação e mostrar uma reportagem comum, explorando o "drama" vivido por Rosa e sua família, surpreendeu. De forma positiva, lúcida e sempre com um belo sorriso, Rosa foi apresentada como uma mulher sem medos, e agradecida pela vida que teve e pelos momentos que passou com a família. Sua dor não foi explorada, a iminente morte também não. Não no sentido sensacionalista, mais cruel como se vê em programas do gênero.  A diferença, é que o "Conexão Repórter" mostrou uma mulher lucida, capaz de explicar sem remorso ou pena de si mesma, a sua situação. Rosa mostrou que não é uma lição de vida, mas uma pessoa que aceitou o seu destino. Ela tinha certeza que seu tempo neste plano espiritual tinha chegado ao fim.

Chamou a atenção, a amizade que o jornalista Roberto Cabrini e Rosa construíram neste curto período de tempo. Rosa encarou a reportagem como uma oportunidade, e mesmo muito debilitada, pediu para Cabrini gravar com o celular em um dia de visita que ele foi sem a equipe. Eles não sabiam, mas aquele seria o último dia de vida de Rosa.

No desfecho do programa, Roberto Cabrini faz uma reflexão sobre o que viu e terminou com esta frese transcrita na íntegra: "A história de Rosa é a demonstração de que a vida humana não deve ser medida pela quantidade de dias, mas sim pelo conteúdo de cada segundo".


Porque fiz este texto: Em 2009, perdi minha mãe com a mesma doença. Assistindo o "Conexão Repórter" pude fazer uma viagem àquela época. Por ironia do destino, minha mãe também se chamava Rosa. Mas, além dessas coincidências, esse "Conexão Repórter" é a prova que o jornalismo ainda não morreu. Que é possível informar, e acima de tudo emocionar. Convido você a assistir aos 50 minutos dessa reportagem. Tenho certeza que não se arrependerá.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Na copa da zueira, nós saímos zuados...


O dia que Belo Horizonte virou "Berlim Horizonte". 

por: Denielson Gonçalves

Sabe quando você tem algo pra fazer, mas não está motivado e, mesmo assim faz, deixando a vida te levar? Assim foi essa Copa para a maioria dos brasileiros. O “não vai ter copa” e o “quero ver na copa” eram as marcas desse sentimento de apreensão. Um misto de incertezas... Será que acredito na realização desse evento? Será que o Brasil está preparado?

            Sim, o Brasil estava! Críticos dirão que isso é mentira. Como assim o Brasil estava preparado? Obras inacabadas, os aeroportos, estradas... Vixe! É tanta coisa que é melhor nem enumerar... Mas o fato é que o Brasil sediou a “Copa das Copas” como disse muitas vezes a presidente Dilma. Sim meus amigos, esta foi a “Copa das Copas”! Tivemos jogos dignos de espetáculos que vieram a calhar com o novo modelo de estádios, as ARENAS! Onde os espetáculos apresentados estão no centro das atenções.

            Teve muita Copa! Teve Copa pra caramba! Teve um brasileiro solicito, teve festa nas ruas, teve estrangeiros encantados com o Brasil e teve, acima de tudo, um povo conectado. Batemos recorde de audiência nas redes sociais. Só no Facebook, o assunto copa do mundo no Brasil foi mais discutido que qualquer outro espetáculo do planeta! Mesmo juntando vários deles... Super Bowl? Perdeu playboy! Nossa copa superou 1 bilhão de interações no Facebook só na primeira semana. É muita copa!

            Nossa seleção não era a melhor, mas acreditávamos no hexa. Até que: a seleção mais carismática, a seleção mais solicita com a torcida nos faz cair na real. Nosso futebol era ruim. Na fatídica cidade da Praça 7, levamos 7 gols de uma seleção incrível. Que jogo! Que decepção... Meu Deus, quando achávamos que era um replay, era outro gol... Dizia Nelson Rodrigues em suas crônicas que o brasileiro podia sentir a baixa estima em tudo, menos no futebol. Ele nos chamava de “A pátria de chuteiras”. Somos um país culturalmente ligado ao futebol, e sim, perder nesse esporte nos machuca. Imagina então tomar 7 gols no lombo em uma semifinal de copa em nossa casa?

A nossa copa, considerada por todos, inclusive pela imprensa estrangeira, a melhor copa de todos os tempos acabou para nós, o pais do futebol. E, por ironia do destino, a copa que nós brasileiros chamamos de “a copa da zueira”, nós saímos zuados... No futebol é claro! Quanta humilhação, meu Deus!